I Jornada de Produção Científica em Direitos Fundamentais
e Estado

Reconstruir o trajeto prático, teórico e ideológico das entidades pioneiras
de apoio jurídico popular no Brasil, demonstrando, com os dados coletados,
que houve e ainda há espaço para práticas jurídicas não excludentes e conservadoras.
Este é o tema da primeira obra específica sobre o tema no campo editorial
nacional: Assessoria Jurídica Popular no Brasil. O livro foi escrito pelo
professor Vladimir de Carvalho Luz, é editado pela Lumen Juris e foi lançado
ontem (24/10) à noite, no City Clube, dentro da programação da 1ª Jornada
de Produção Científica em Direitos Fundamentais e Estado. No mesmo evento,
professores pesquisadores da Unesc, Unisc e UFSC, também lançaram suas obras
durante noite de autógrafos.
Segundo Carvalho Luz, com a identificação ampla de assessoria popular, formou-se,
no Brasil, nos últimos trinta anos, uma gama significativa de organizações
que foram testemunhas e protagonistas de formas emancipatórias de compreensão
e de exercício do direito. "Ao lado de correntes críticas sedimentadas na
magistratura (direito alternativo) e na universidade (teorias críticas), tais
experiências foram gestadas e se desenvolveram nos marcos históricos da advocacia
popular, das entidades não-estatais e do movimento estudantil", diz o doutorando
em Direito pela Unisinos e líder do Núcleo de Estudos em Direitos Humanos
e Cidadania. Ao escrever o livro, ele diz que pretendeu "dar visibilidade
para alguns elementos essenciais de uma história marcante e singular, história
ainda invisível para grande parte da academia, mas que se mostra, ainda hoje,
como testemunha de algumas das mais significativas experiências emancipatórias
realizadas no campo da crítica jurídica brasileira".
Trabalho Infantil
Outra obra, de abrangência internacional, que foi lançada durante a 1ª Jornada
de Produção Científica em Direitos Fundamentais e Estado foi o Problema do
Trabalho Infantil. O livro é edição especial do 25º aniversário do International
Children's Rights Monitor (Revista Monitor Internacional dos Direitos das
Crianças) da Defense for Children International (DCI), organização que possui
status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas,
Unicef, Unesco e ao Conselho Europeu da ONU. Está estruturada numa rede mundial
por meio de suas 37 seções nacionais e de seus membros filiados. No Brasil,
o CDI é representado pela Associação Nacional dos Centros de Defesa dos Direitos
da Criança e do Adolescente (ANCED).
Anteriormente publicado nas versões em inglês e espanhol, o livro é agora
publicado em português. Trata dos temas centrais do trabalho infantil e pretende
influenciar as políticas públicas globais relativas aos direitos da criança.
A participação do Brasil nesta obra é representada pela contribuição dos professores
doutores André Viana Custódio (Unesc) e Josiane Rose Petry Veronese (Ufsc),
que apresentam uma perspectiva histórica da exploração do trabalho infantil
no Brasil e a inserção da Teoria Jurídica da Proteção Integral da Criança
e do Adolescente.
Cidadania e Políticas Públicas
Direito, Cidadania e Políticas Públicas: Direito do Cidadão e Dever do Estado,
Volume II, organizado pela pós-doutoranda da Universidade de Burgos, Marli
Marlene Moraes da Costa, foi outro livro lançado ontem à noite. Com 234 páginas,
a obra trata do desenvolvimento e da inclusão social que possibilitem a concretização
da justiça social a todos e a cada um, em uma interação entre o coletivo e
o individual, possibilitando a harmonização de situações reais de existências,
não, necessariamente, sua homogeneização. "O homogêneo social", diz ela, "mostrou-se,
nas experiências que a história nos apresenta, apenas como retórica para a
tomada do poder e de sua manutenção".