Professora comenta a judicialização da política e sugere retomada da participação da sociedade na definição de rumos

"A sociedade descrente do Estado e da Política, mas apática e sem participação, tem deixado que as decisões políticas mais importantes sejam tomadas pelos juízes. Isso é a judicialização da política. E esse é o maior risco para a democracia e para o Estado de Direito". A reflexão foi feita hoje (25/10) pela professora doutora Cláudia Barbosa, durante palestra da 1ª Jornada de Produção Científica em Direitos Fundamentais e Estado. Para a palestrante, a indiferença e a omissão estão fazendo com que, cada dia mais, as pessoas deixem de usar o espaço da política para resolver seus problemas e escolham a via judicial e isso é um grande engano. "O poder judiciário não tem condições de realizar socialmente aquilo que esperamos", afirma.

Enquanto sociedade, diz ela, precisamos definir para onde queremos ir e se queremos assumir as rédeas da história, ou não. No Brasil, informa, o STF acumula duas funções: política e jurídica. "Ora os ministros são agentes políticos, ora são juízes de última instância", ensina. É o caso único mundo, de dupla função. "A judicialização da política enfraquece a sociedade e esfacela a política, que antes era o único canal para definir os rumos da sociedade. O judiciário não faz política, não sabe como fazê-la, não é seu papel fazê-la".

A solução, para a professora, é o fortalecimento da sociedade civil e a prática da democracia cada vez mais participativa e deliberativa. "A judicialização da política está ligada à constitucionalização da vida. Com as cartas constitucionais do pós-guerra em vários países do mundo, e do Brasil a partir de 1988, os direitos do cidadão passaram a ser exigíveis e o poder judiciário passou a ser acionado para tal. Só que os juízes não queriam isso e nem estão estruturados e preparados para isso. Se puderem, ficariam no direito civil e pronto. Cabe a nós, enquanto sociedade, voltar a fixar as políticas públicas, o que queremos, e não os juízes".


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