Professora adverte para usurpação de poder


"Quanto mais os representantes do povo se eximem de suas responsabilidades e deixam para o poder judiciário a última palavra no julgamento de decisões polêmicas, para não comprometer suas carreiras políticas, mais estarão contribuindo para aquele poder usurpar as prerrogativas do poder legislativo".

A conseqüência imediata desta usurpação de funções de um poder pelo outro, segundo a professora, é que "de protetor e defensor da Constituição", o poder judiciário passou a legislar, nem sempre tendo legitimidade para esta atuação, porque sua função seria de proteger ou guardar a Constituição mas, como disse Carl Schmitt, "o protetor se converte facilmente em senhor e árbitro da Constituição".

Para a professora, "decisões políticas necessariamente são resultado de amplo debate na sociedade, representada no legislativo. Elas estão sendo tomadas no âmbito do judiciário, que não têm esta prática democrática. Nele, são juízes que decidem. Como a neutralidade não existe, qual o limite de atuação desses juízes", questiona. A clássica tripartição dos poderes teorizada por Montesquieu no século XVIII, segundo ela, fica cada dia mais tênue e, no caso do judiciário, mais "complexa" ainda. Além de criador de leis, compartilhando funções com o legislativo e o executivo, o judiciário também está interferindo nas políticas públicas, prerrogativa dos outros poderes eleitos pelo povo para um período de tempo determinado, onde podem e são substituídos. Situação oposta se dá no judiciário, que não passa pelo crivo do eleitor nas eleições e nem tem tempo de mandato para sair. A interferência do judiciário no legislativo, segundo Vanessa, se deve a vários fatores, que vão desde a política de defesa de direitos até o surgimento de novos grupos de interesse.

Fonte: Assessoria de Imprensa Unesc / J.Triches 9984-4613


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